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UM OLHAR E UM SENTIR SOBRE O ENCONTRO DE LIDERANÇAS DA IGREJA PRESBITERIANA UNIDA DO BRASIL 

E da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis (Rm 8.26). 

A força clareadora do Espírito Santo nos alegrou mais uma vez pela sua fidelidade como consolador, protetor, animador e guia ao reunir diáconos, diaconisas, presbíteras, pesbíteros, pastores, pastoras de “pequenas” e de “grandes” comunidades irmãs que saíram do norte, sudeste, nordeste e centro-oeste do país, para compartilharem da vida pessoal e comunitária; da alegria do re-encontro; do fazer novas amizades; de sonhos, ideais, desejos, desafios e reflexões, na bonita Estância Árvore da Vida no município de Sumaré, São Paulo nos dias 30,31/10 e 1 e 2/11/2009,  

Bendito foram esses dias que conhecemos mais a força de Deus presente na nossa pequena e grande IPU; pequena quando comparada com outras denominações que crescem dia-a-dia numerosamente e sacodem nossos galhos como um vendaval pronto a nos tragar ou nos derrubar, mas que também servem de desafio para continuarmos olhando a nossa história, nossas ações e tirar dela o maná e o mel que Deus já nos presenteou.  

Para continuar experimentando a força do maná e do mel, o mesmo Espírito que fez nascer a IPU trouxe o Dr. Marcos Inhauser para refletir sobre identidade, missão e evangelização da IPU, numa perspectiva bíblica, teológica, política e social, destacando com clareza aquilo que tem sido a nossa essência e o nosso valor.  

Ao longo da sua explanação sobre os modelos de igrejas no cristianismo nascente fomos incentivad@s a identificar em qual ou quais a IPU mais se aproxima e a compreender a influência dessas correntes teológicas noutras denominações cristãs, desde a Igreja Católica Romana até as pentecostais e neo-pentecostais.

Dentre os quatro tipos e sistemas de igrejas apresentados (a petrina, a paulina, a apolina e a joanina) vamos mencionar apenas aqueles modelos ou eclesiologias que historicamente influenciaram a IPU: o paulino e o joanino. O Paulino é semi-aberto que prima pela racionalidade, possui uma boa estrutura doutrinária e uma liturgia bem elaborada, quanto à administração eclesiástica é uma igreja bem organizada. Nesse tipo de igreja há um interesse na capacitação dos seus membros, afim de que exercitem a sua cidadania e sejam pessoas atuantes não só dentro da igreja, mas em toda a sociedade. O ponto fundamental deste sistema é o entendimento. Já o sistema da igreja joanina é aberto por ser ao mesmo tempo racional e emocional, doutrinariamente são abertas/flexíveis, liturgicamente experienciais e administrativamente adaptáveis. O ponto chave desse tipo de igreja é o sentimento. 

Entretanto, apesar da IPU conter elementos de ambas, no todo, a raiz que mais a influencia é a paulina, e no que se percebeu o Pastor Inhauser apresenta as igrejas joaninas como as que possuem maior fidelidade a mensagem e atuação de Jesus Cristo. Diz que a IPU deve caminhar cada vez mais ao encontro da forma Joanina de ser Igreja, por ser esta de fato uma igreja pastoral, isto é: o seu ministério é político/transformador dentro da sociedade e não para si mesma. 

Inhauser nos falava que devemos acolher profundamente como aspecto evangelizador também as ações vindas dos projetos sociais que são desenvolvidas por nossas igrejas e perceber o alcance desses projetos na vida da sociedade. Diante disso podemos nos perguntar não seriam essas ações frutos da nossa fé, do nosso entendimento bíblico e da prática do amor? Esses serviços sociais não seriam Boa-Nova e evangelização (Lc 6,17ss)? Por acaso todas as pessoas “tocadas” por Jesus tornaram-se seus discípulos (as) ou apóstolos ou seguidoras? Será que muitas delas não eram convertidas ao amor à solidariedade, mesmo sem fazer parte do seu grupo mais próximo? 

 Amar ao outro que não faz parte da minha tenda e se necessário nos colocar ao seu serviço (Lc 10,25-37) não seria também uma atitude que testemunha a nossa opção mais radical pelo evangelho de Jesus? Para isso precisamos do diálogo e do respeito em relação às experiências vivenciais e religiosas do outro. Para ajudar nessa compreensão, O pastor Gerson Urban, o pastor Cláudio da Chaga e Elinete Paes, trouxeram-nos as reflexões sobre o ecumenismo e a Campanha da Fraternidade 2010 que será ecumênica.   

Na sua história a IPU tem buscado a aprendizagem ecumênica em respeito ao outro, em sinal de humildade, e como um caminho para a paz entre as pessoas. Seriam estas posturas um sinal de fidelidade a oração sacerdotal de Jesus (João 17.21). E certamente este é um grande desafio que a igreja enfrenta, não é fácil ser ecumênica em meio às afirmações dos que se acham únicos conhecedores das verdades bíblicas e da fé. Ser ecumênico é viver uma verdade bíblica essencial que a IPU cultiva. E nós nos sentimos felizes por estarmos nela, pois cremos que é uma atuação do Espírito Santo em nós e por isso uma iluminação para viver mais plenamente a força desse Espírito. 

Vimos e sentimos que as reflexões sobre a evangelização feita por Inhauser e experiências que estão sendo realizadas por outras comunidades da IPU, devem trilhar no caminho que Jesus fez: Palavra/Coerência que flui em Amor/Ação - aproximação pelo amor gerando amizade – porta de entrada para comer na mesa da cozinha; partilhar o pão e o vinho (Mt 26,26-29) – força para o espírito / comunhão e compromisso com toda a criação; vergar o corpo e dobrar os joelhos para lavar os pés que não são os nossos – sinal de humildade/serviço (Jo 13). 

Enfim, foi um pouco assim, que nós da Igreja Presbiteriana Unida de Itapagipe sentimos: um evento dirigido pelo poder restaurador de Deus que nos faz pequenos e grandes ao mesmo tempo. Pequenos quando cogitamos pensar nos acontecimentos realizados apenas pela força humana e grandes quando Deus nos mostra que mesmo diante das nossas limitações, está caminhando conosco, nos dando novas chances para continuar uma vida de comunhão com o nosso ser, com a nossa igreja (eklesia), com o todo criado e com o eterno: perfeição e lugar de aconchego, desafio, compromisso e esperança.

Aguinelza Araújo dos Santos

 

 

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